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Era uma vez a Covid-19 na gravidez

Destaque Era uma vez a Covid-19 na gravidez

Têm sido muitas as dúvidas sobre os riscos da Covid-19 na Gravidez.  Vou tentar esclarecer algumas das dúvidas segundo a última norma da Direção Geral de Saúde (DGS)publicada a 30 de Março de 2020. 

Devo ter alguma precaução especial para ir a uma consulta ou ecografia?
Até agora ainda não foram dadas recomendações especiais para grávidas nomeadamente no uso de máscara ou luvas na rua/supermercado. Deve manter-se a lavagem das mãos e distanciamento mínimo de 1,5m das pessoas.  Os profissionais de saúde estarão equipados para segurança das grávidas e de todos e serão fornecidas máscaras nos Centros de Saúde a todos os utentes com consultas presenciais. Esta nova medida de uso de máscara nos CS tem intenção de proteger os profissionais de saúde que não têm como saber se os utentes estão ou não infetados.

 Segundo a DGS: “ As grávidas devem ter cuidados de prevenção, investigação e diagnóstico semelhantes aos da restante população portuguesa. As grávidas com COVID-19 assintomáticas ou com queixas ligeiras devem manter a sua vigilância habitual. ”

Devo adiar a minha consulta no Centro de Saúde?
- As ecografias e análises do 1º e 2º trimestre não devem ser adiadas.
- A vacinação da tosse convulsa entre as 20 e 36 semanas não deve ser adiada.

As restantes consultas e exames nas grávidas saudáveis podem ser feitas por "teleconsulta"  salvo algumas exceções nomeadamente grávidas com patologia (hipertensão, diabetes, restrição de crescimento intra-uterino...etc). A decisão de não ir à consulta deve ser determinada pelo médico assistente (médico de família ou obstetra) portanto devem ligar para o CS ou enviar email atempadamente para definir o plano com o vosso médico. De momento a DGS recomenda manter o acompanhamento das grávidas e crianças nos Centros de Saúde.

Algumas clínicas privadas não estão a realizar as ecografias do 3º trimestre a grávidas saudáveis contudo essa decisão deve ser debatida com o médico assistente.

As grávidas infetadas devem adiar os procedimentos sempre que possível .
”Quando a grávida está de quarentena, os procedimentos de rotina devem sempre que possível ser adiados, sem comprometer a segurança clínica, até terminar o período recomendado para autoisolamento.”


Será permitido ter acompanhante no Parto?
A DGS ainda não emitiu declarações claras sobre o acompanhamento no Parto para mulheres assintomáticas  ou sem suspeita de Covid-19. Contudo na última norma da DGS referem que na sala de partos de uma grávida com suspeita ou infeção comprovada de Covid19 devem estar somente apenas as pessoas necessárias (2 profissionais). Para as grávidas não suspeitas de infeção /assintomáticas omitem informação sobre os acompanhantes mas entendo que não será permitido dado que os profissionais não têm como saber quem está ou não. Deixam também a decisão a cargo da instituição portanto pode haver hospitais que permitam e outros que não. 

“Apenas os profissionais destacados ao atendimento da grávida devem entrar na área de isolamento. A presença de acompanhante poderá ser permitida apenas se a instituição considerar que tem asseguradas todas as condições de segurança para evitar o contágio. Deve ser permitido à grávida manter consigo o telemóvel, no sentido de minorar os efeitos do isolamento e de poder comunicar com a equipa de saúde (...)Perante uma parturiente assintomática ou pouco sintomática podem estar presentes na sala apenas um obstetra e um enfermeiro especialista em saúde materna e obstétrica, ambos experientes em cuidados intraparto, estando a restante equipa rapidamente disponível, se necessário. “

Quanto às visitas do Pai à maternidade não há informação clara e será uma decisão da instituição. Muitos hospitais vão testar as grávidas na entrada da instituição e os serviços vão ter áreas separadas para grávidas infetadas e não infetadas portanto acredito que as instituições deixem os pais visitar as mães e recém-nascidos com as medidas certas de proteção. 

Se estiver infetada fico separada do bebé?

A DGS deixou ao critério da instituição mas provavelmente a maioria das maternidades vão optar por isolar a mãe e bebé durante 14dias. A falta de estudos e informações induz os profissionais de saúde a agir de forma cautelosa e de forma a prevenir contágio do recém nascido. Parece-me sensato que optem por esta separação.

O que diz a norma da DGS:

“ contacto pele a pele está desaconselhado.”

“A separação mãe-filho após o parto é um assunto controverso, pois ao risco de contágio de recém-nascido opõem-se as vantagens da ligação e amamentação precoces. É necessário que as instituições de saúde tomem decisões individualizadas, tendo em conta a vontade da mãe, as instalações disponíveis no hospital e a disponibilidade das equipas de saúde. Não havendo separação mãe-filho, a mãe deve lavar cuidadosamente as mãos e colocar a máscara cirúrgica antes de todos os contactos com o recém-nascido.”

Poderei amamentar?

Amamentação na mãe infetada: decidido caso a caso.
”Não existe evidência sustentada de risco de transmissão viral através do leite materno, pelo que em situações de separação mãe-filho, está recomendada a extração do leite com bomba e o seu desperdício até a mãe ter dois testes negativos. Esta recomendação não dispensa a avaliação médica caso a caso e a necessidade de ter em consideração a evolução da literatura científica.”
Por seu lado a OMS defende a amamentação e não recomenda o desperdício do leite materno extraído por bomba. Acredito que esta recomendação da DGS venha a ser atualizada dado que na mesma norma há informação controversa.

Infelizmente a DGS ainda não definiu normas para as grávidas saudáveis mas é possível que todas sejam assumidas como suspeita. 

Mais informações no vídeo: 

 

 

Qualquer dúvida podem contactar-me por mensagem privada no IG : https://www.instagram.com/eraumavez_catiagoncalves/

Modificado emdomingo, 05 abril 2020 17:38

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